DeiaKY

 

"Sonhos são como deuses... eles deixam de existir quando não se acredita mais neles." Sandman - Neil Gaiman

19/10/2008 15:36


Esse post contém spoiler, "À Espera de um Milagre", Stephen King.

Ler "À Espera de um Milagre" de Stephen King faz refletirmos sobre o que se passa na mente de um homem antes de ser executado na cadeira elétrica, seus crimes até a sua assombrosa morte.

Paul Edgecombe, principal personagem da trama, vive agora num asilo onde recorda a época em que trabalhava como guarda na penitenciária de Cold Mountain, vivendo os maus tratos de um funcionário do asilo, fazendo-o lembrar de um guarda mau que trabalhava com ele no presídio. Edgecombe era o chefe da guarda da ala do corredor da morte, teve grande contato com os presos antes da condenação à cadeira.

Sua rotina mudou com a chegada do preso John Coffey, condenado por estuprar e assassinar duas garotinhas. Mas a mente de Edgecombe se intrigava pelo jeito de Coffey, tinha algo nele muito estranho, não conversava, vivia chorando em sua cela, e havia algo de dócil em seus olhos. Mas a corte não errara em seu julgamento, levado a júri popular e condenado à cadeira da morte, o júri se impressionou pelo porte do preso, negro alto e forte, a promotoria não hesitou em dizer como um monstro daquele tamanho não teve pena em chocar o crânio um contra o outro das garotinhas brancas.

A suspeita da condenação de Coffey aumentou quando um dia Edgecombe, estava passando muito mal, pois sofria de uma complicação renal, o condenado pediu ao guarda para que ele entrasse em sua cela para poder conversar, alegando que não poderia ser através das grades, Paul Edgecombe hesitou mas acabou entrando na cela, Coffey lhe segurou os braços, nisso o guarda viu uma fumaça preta sair de sua própria boca, como se estivesse sendo sugada por Coffey, e logo em seguida ele cuspiu e a fumaça desapareceu. Paul achou que tivesse tido uma ilusão, mas estranhamente sua complicação renal desaparecera.

Edgecombe teve a certeza do poder de cura quando ele curou o ratinho de estimação de um preso francês. O condenado e seu animalzinho eram muito queridos pelos funcionários da ala do corredor da morte, devido a simpatia do preso, e o seu jeito preocupado em cuidar e adestrar seu rato. A simpatia e a educação do francês fazia com que todos pensassem em como ele poderia ter estuprado crianças e ateado fogo. Um dia o condenado estava mostrandos aos guardas uma nova peripécia que ele ensinou ao ratinho, ele conseguia fazer o animal correr atras de um dedal após arremessá-lo e trazer de volta até o francês, nisso, o dedal rodopiou até o corredor que leva até a sala da cadeira elétrica, e o rato correu para pegar, e o funcionário que todos odiavam por ser prepotente devido ao parentesco com o governador, esmaga o rato com o pé. Todos os guardas ficam chocados com a cena estúpida, e o francês vendo toda a brutalidade se desespera. Coffey pede aos guardas que lhe dêem o rato pois ele ainda respirava, mesmo com a coluna esmagada. Coffey faz a mesma coisa que fez com Paul, e o ratinho sai correndo da cela de seu salvador e volta para a cela de seu dono.

O funcionário que tentou matar o rato se vinga do francês no dia de sua morte. Stephen King descreve tal cena num modo chocante, impressionante o horrendo. O francês sentado na cadeira elétrica, e o guarda impiedoso não toma as procedimentos corretos para a execução, ele não deixa a esponja molhada na cabeça do francês, e o condenado é fritado na cadeira, onde o público (na condenação por cadeira elétrica era obrigado a ter testemunhas, normalmente parente da vítima, para sertificar-se que a justiça foi cumprida; hoje esse tipo de condenação foi extinta) assistia a agonia do preso, os gritos, passando se longos minutos até ser completamente morto. O guarda não sabia que o resultado seria esse, ele já não sabia mais o que fazer, nem ele nem Paul, e a platéia pedia para que isso acabasse logo, o cheiro de carne, do cabelo queimado era desesperador.

Após o fato ocorrido Paul e seus colegas de trabalho conseguem prender o guarda impieodoso numa cela como um castigo pelo que cometeu com o francês. Mas na realidade isso era uma forma de tirar Coffey da cela, sem que pudessem ser dedurados, e levá-lo até a casa do diretor para salvar a esposa de seu chefe, pois ela estava sofrendo devido ao câncer. Assim que Coffey passou pela sala da cadeira da morte, ele parou, e Paul perguntou o porque dele estar imóvel, o que ele disse chocaram os guardas; que os condenados ainda permaneciam alí, e seus gritos eram aterrorizantes. Tirar o preso da cela por um momento era a única opção dos guardas, pois se falassem suas pretensões ao diretor jamais acreditaria no poder de cura de um cruel assassino, então a solução seria levá-lo até sua esposa. Quando eles chegaram, o diretor não acreditou na história, mas acabou deixando todos entrar devido a vergonha da obcenidade de sua mulher, ela não parava de desenterrar palavrões insconscientemente devido ao tumor cerebral.

Coffey engoliu a fumaça da mulher salvando-a, mas não espeliu a fumaça negra como fez com Paul e o rato do francês. O preso foi levado à cela carregado, pois não conseguia andar devido a fumaça que ele ingeriu e a tosse que não parava. Logo após, os guardas soltaram o funcionário impiedoso e Coffey conseguiu agarrá-lo e espeliu a fumaça negra que estava em sua boca na boca do guarda, esse começou a passar mal. O jovem Billy The Kid outro condenado que estava em sua cela, adorava provocar o guarda impiedoso. Com a fumaça em seu corpo o guarda se descontrolou e acabou atirando e mantando Billy. Foi comprovado que o guarda não estava psicologicamente bem e acabou internado numa clínica para doentes mentais.

Billy era extramamente violento, deu trabalho para os guardas, quase matando um deles.
Paul andou pesquisando os crimes de Billy, como atentado violento ao pudor. Em uma dessas pesquisas descobriu que o jovem esteve próximo a região em que Coffey foi pego em flagrante com as duas meninas nas mãos, ele gritando e chorando. Paul teve grande sucesso com as pesquisas, pois descobriu que o verdadeiro assassino das gêmeas foi Billy, que Coffey estava com as meninas em suas mãos para tentar salvá-las, mas já era tarde, elas já estavam mortas, por isso o grito de desespero o choro. Quando ele foi pego em flagrante ele não sabia explicar o que estava fazendo alí, não sabia de onde vinha, e foi comprovado por testemunhas que já moraram perto de Coffey que ninguém sabia nada a respeito dele. Paul não teria sucesso em provar a inocência de Coffey, teria que reabrir o processo, e tentar juntar provas que não conseguiria devido a região racista do local do crime. Então Coffey foi condenado a cadeira elétrica.

No asilo Georgia Pines, Paul escreveu sua história de vida no corredor da morte para uma namorada idosa que ele tinha, que lembrava muito sua falecida esposa. O funcionário do asilo lembrava muito o guarda impieodoso do presídio de Cold Mountain. Ele perseguia Paul, o maltratando. Queria descobrir onde ele ía todos os dias de manha, e sua resposta era sair para uma caminhada no bosque. Ele só mostrou o segredo a sua namorada; o ratinho do condenado francês, de quem ele cuidava, já velho como ele, que na teoria de Paul os dois ainda continuam vivos graças as mãos milagrosas de Coffey, que prolongaram suas vidas.



"À Espera de um Milagre", seu título original "O corredor da morte", esse publicado em seis volumes, fazendo os leitores ficar na espectativa sobre a história de Edgecombe.

Stephen King nasceu em 21/09/1947. Seu pai desertou a família quando Stephen tinha dois anos. Foi criado com seu irmão adotivo pela mãe. Quando criança presenciou a morte de um amigo que ficou preso na ferrovia e atropelado por um trem, onde muitos dizem que isso o inspirou a escrever as obras, Stephen descarta essa idéia. E já na escola escrevia hitórias de horror, onde os professores os proibiam. Se formou em Inglês na Universidade do Maine, e lecionou na Academia Hampden de Meine. Começou escrevendo para um jornal estudantil e mais tarde teve uma coluna numa revista masculina. Seu primeira obra de grande sucesso foi "Carrie", onde não iria dar continuidade, foi encorajado por sua esposa a terminar o livro, que lhe rendeu muito dinheiro com os direitos autorais.

Mais sobre Stephen King no post de 16/06/2004.
enviada por Deia






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