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30/11/2008 19:58
Esse post contém spoiler, Saga de Bento, de André Vianco.
Imagine um dia corriqueiro de nossas vidas, voltando do serviço, ou indo à faculdade, se preparando para o encontro com a namorada ou namorado, você liga o Jornal Nacional e se depara com o William Bonner noticiando uma epidemia em nosso país, pessoas que adormecem e não acordam mais, mas estranhamente suas funções vitais estão normais. E outras que acordam parecendo estar infectadas, olhos vermelhos, atacando os próprios familiares como bichos. Hospitais lotados e os médicos tentando descobrir que nova doença está assolando a população. E para sua surpresa seu amigo ou vizinho, ou até mesmo alguém de sua própria família também está doente.
Esse é o início de uma saga cheia de terror de André Vianco, Bento, herói humano, inimigo vampiro, adormecidos que despertam e tornam-se vampiros. Alguns dormem por mais de dez anos, e quando acordam encontram o mundo diferente. E Lucas é o último Bento despertado, Bento são os cavaleiros do bem. Sim, cavaleiros, pois carro já está se tornando objeto raro, pois falta combustível, os Bentos montam em cavalos, combatem os vampiros com suas armaduras de prata. Inexplicavelmente, eles despertam diferentemente de outros, há os que adormeceram e acordam como um humano normal como eles sempre foram. Diferentemente, os Bentos, eles ganharam o dom. Como Lucas, o último Bento desperto, que quando acordou indagou como ele pode ser um Bento, não tem nada de diferente nele, um humano comum, trabalhava numa empresa, era um simples funcionário. E agora nesse novo mundo, ele era considerado um humano sagrado, (pois através dele, os Bentos se reuniriam para concretizar o milagre) ele era magro, não tinha corpo pra combate. E qual a lógica divina de um homem despertar como Bento? Ele nunca fez nada de bom ou divino antes de adormecer, aliás, um dos Bentos era um presidiário. Os próprios Bentos não encontravam respostas para tantas dúvidas. Mas uma coisa eles sabiam, seus sangues não eram bons para os vampiros, mas poderiam ser mortos em batalhas, só não tinham seus pescoços sugados por essas criaturas.
Os que despertavam vampiros precisavam de sangue para sobreviver, eles mantinham estoque de humanos adormecidos para se alimentarem, ou se alimentavam e matavam quem estivesse vivo. Os Bentos viviam em quartéis espalhados em vários locais do Brasil, protegendo os humanos, e também os humanos adormecidos. Os quartéis eram como se fosse uma mini cidade com muros sendo protegidos.
O Vampiro-Rei 1, continuação de Bento, deparamos com Lúcio, um humano traidor que quer tornar-se vampiro, torna-se lacaio de Cantarzo, o futuro líder dos vampiros. Cantarzo está dentro de um simples caixa de madeira, e o objetivo do lacaio é levá-lo à bruxa Tereza, onde ela reside ao norte do Brasil, fazendo Cantarzo tornar-se o Rei dos vampiros. E em O Vampiro-Rei 2, Cantarzo torna-se um Rei difícil de se combater, e o nosso guerreiro da luz, Lucas e o restante dos Bentos terão de combate-lo. A história da vida de Cantarzo também é contada, a época em que ele ainda era um humano, e por incrível que pareça, no desenrolar da história descobrimos que ele é irmão do Bento Lucas.
A narrativa de Vianco nos prende, com falas regionais de certos personagens, usando até mesmo gírias. Ele cita também programas de TV que realmente existem, como o Jornal Nacional. Os combates entre os vampiros e os humanos, nos empolgam tanto, que parece que estamos vivenciando o momento junto com os personagens, ficamos torcendo e dizendo com a nossa mente saia daí, o vampiro vai te pegar, ou corra, corra, eles estão atrás de você. Outra coisa que nos prende é o cenário, ruas e locais que conhecemos, um supermercado famoso perto de nossa casa, a rua que passamos todos os dias para ir trabalhar. Isso faz nossa mente criar a narrativa no lugar que conhecemos. Ou até mesmo imaginar o famoso Hospital das Clínicas desativado, infestado de vampiros, uma toca para esses seres noturnos.
Vianco nos envolve até com a música que os personagens estão ouvindo. Nosso cérebro se recorda da canção e nos vemos cantando enquanto estamos presos a sua narrativa. Como por exemplo numa batalha onde um humano está em um veículo cercado de vampiros, e pra distrair a tensão, ele aperta o play e ouve I Believe in Miracle (Eu acredito em milagres) dos Ramones, pois realmente, o que o personagem precisa nesse momento é de um milagre para ser salvo. Ou tente imaginar, o quartel, onde as pessoas nem ouvem mais músicas por falta de eletricidade, mas numa comemoração, alguém consegue fazer um rádio funcionar, e toca Roberto Carlos, você também acaba se emocinando junto com aquele personagem que relembra da música na época em que o mundo era normal.
A fantasia de Vianco é extraordinária, indo de vampiros a boitatá, bruxas e samurais japoneses.
André Vianco é um dos raros brasileiros que consegue viver somente através dos livros publicados. Nasceu em São Paulo, crescido em Osasco, e lugar onde mora até hoje. Já trabalhou como entregador de pizza na adolescência, seu último emprego foi numa operadora de cartão de crédito, onde foi mandado embora, e com o dinheiro do FGTS imprimiu 1000 cópias de seu primeiro best-seller Os Sete oferecendo às livrarias (no ano de 2000) no ano seguinte a Editora Novo Século interessou-se por sua obra e o publicou, editora com quem até hoje o autor trabalha.
Curiosidade sobre o autor: o sobrenome Vianco, é artístico, adotou em homenagem a Osasco, por causa da Rua Dona Primitiva Vianco.
enviada por Deia
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